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Apresentação

"Poder-se-ia ironizar dizendo que a formação dos urbanistas é notoriamente maniqueísta (...) porque privilegia certas variáveis, subvalorizando outras. E se o urbanista é também arquitecto, pode-se acrescentar uma outra reserva mental: a arquitectura da dispersão não se vê ou não se desenha, pelo menos nos termos habitualmente usados pela disciplina quando se refere ao monumento ou à cidade compacta. Mas nem os economistas, agrónomos, ecologistas, engenheiros dos transportes estão isentos de comparações “apriorísticas”: uma urbanização assim será definida por uma estrutura arcaica, inadequada à modernização, desperdício de recursos naturais, sistema antieconómico, etc. a dispersão é o caos e Deus (como os planeadores) tem horror do caos."

Portas, Nuno; Sá, Manuel Fernandes de, Afonso, Rui Braz (1990). Modello territoriale e intervento urbanístico nella regione del Medio Ave. In Urbanistica (101), p.40.

Assumindo a importância da análise da Morfologia Urbana, propõe-se como tema geral a “Produção de Território”, centrando a discussão em torno das Formas, Processos e Desígnios. Reconhecendo a diversidade dos mosaicos urbanos que caracterizam as formações sociais e os distintos territórios do universo lusófono, pretende-se explorar as múltiplas escalas e realidades físicas que decorrem das dinâmicas sociais e políticas que se podem verificar nessas geografias. Dessa investigação espera-se que se possam construir novas ferramentas de análise e de intervenção que contenham respostas para a diversidade e contradição da urbanização contemporânea.

O evento encontra-se estruturado em três linhas temáticas: FORMAS, PROCESSOS, DESÍGNIOS.

"O Médio Ave: Novas Políticas Municipais". Prova de Dissertação de Manuel Pinheiro Fernandes de Sá.


1. FORMAS

Na linha temática FORMAS pretende-se explorar a diversidade e as múltiplas escalas territoriais que a morfologia urbana assume. A partir das estruturas e texturas existentes – quer se considere a cidade convencional ou a urbanização, quer a aglomeração ou a dispersão, a mistura ou a especialização funcionais – a abordagem remete para uma leitura morfológica dos componentes urbanos e para a identificação dos modos de associação/combinação e dos princípios que lhes deram origem.

Assim, esperam-se comunicações que:

1.1 Ferramentas, Métodos e Técnicas

– evidenciem o potencial e a operacionalidade de determinadas Ferramentas, Métodos e Técnicas ampliando o conhecimento sobre os procedimentos de observação e de interpretação da morfologia urbana e demonstrando a eficácia destes através dos resultados obtidos na sua experimentação.

1.2 Elementos e Padrões, Espaços Privados e Colectivos

– trabalhem sobre os Elementos e Padrões, Espaços Privados e Colectivos, tendo em vista a sistematização do conhecimento relativo às características de cada configuração urbana através dos elementos e das unidades morfo-tipológicas, compreendendo os fragmentos e os compósitos e as lógicas subjacentes à constituição da relação entre os espaços privados e o espaço colectivos.

1.3 Sistemas, Redes e Paisagens

– estudem as condições de dependência ou independência, os factores de associação e dissociação e as simultaneidades ou sobreposições que integram as múltiplas polémicas do debate em torno dos Sistemas, Redes e Paisagens.

2. PROCESSOS

A linha temática PROCESSOS convoca a dimensão dinâmica implícita e fundamental para o entendimento das opções que se percepcionam através da morfologia urbana ou se despertam na realidade que esta revela. Reconhece-se que o fenómeno urbano não pode ser entendido, apenas, como a multiplicação de uma determinada condição ou concretização espacial. Procura-se o reconhecimento dos contextos reguladores e mediadores das múltiplas dimensões interactuantes – culturais, sociais, económicas e políticas – e dos sujeitos activos mais pertinentes para o conhecimento de determinado contexto geográfico.

Assim, esperam-se comunicações que:

2.1 Actores e Participação

– fomentem um debate sobre os mecanismos, presentes ou ausentes, espontâneos ou institucionais de cooperação colectiva e os enquadramentos de promoção ou inibição da capacitação da população para os problemas e para o envolvimento na construção de soluções, evidenciando os cenários e as questões pertinentes relativas a Actores e Participação.

2.2 Regulação e Execução

– permitam compreender e discutir os critérios de Regulação e Execução que determinam os critérios e os modelos de ocupação do uso do solo, que reconhecem distintos enquadramentos institucionais e societais e justificam as diversas soluções de gestão urbanística ou do seu enquadramento operacional.

2.3 Regeneração Urbana – Património e Herança

– contribuam para o quadro de aprendizagem que incide sobre a Regeneração Urbana – Património e Herança, através da discussão de procedimentos de actuação e critérios a salvaguardar e/ou da apresentação de casos exemplares de transformação e renovação do território existente, antigo ou recente.

3. DESÍGNIOS

A linha temática DESÍGNIOS corresponde ao espaço de discussão dos propósitos ou das intenções que concretizam, ou visam concretizar, em consonância com um determinado quadro de circunstâncias, possibilidades e vontades e uma determinada visão de futuro, uma qualquer realidade morfológica. Apresenta-se como a plataforma de identificação de desafios, de aspirações passadas ou futuras, de políticas-planos-projectos e como o espaço de controvérsia sobre novas estratégias ou paradigmas de intervenção; uma plataforma onde o debate sobre o ensino dos futuros responsáveis pela transformação se reconhece como determinante para a garantia da disseminação de um conhecimento actual e útil.

Assim, esperam-se comunicações que:

3.1 Teorias e Utopias

– apresentem Teorias e Utopias pertinentes para o estudo da morfologia urbana, incidindo sobre princípios ou raciocínios pertinentes e integrados em sistemas coerentes e sistematizados sobre um determinado domínio ou realidade, mas também reflectindo sobre modelos ideais que reconheçam as proximidades e os afastamentos entre a ficção proposta e a realidade alcançada ou que se pretende alcançar.

3.2 Novos Paradigmas e Desafios

– discutam Novos Paradigmas e Desafios em face de distintos cenários pertinentes ou atendendo a questões prementes da realidade urbana e dos estudos que sobre a mesma recaem. É particularmente importante o contexto actual de metamorfose do Estado em tempos de crise das políticas públicas e de neo-liberalismo global.

3.3 Ensino – Práticas e Didáticas

– permitam compreender a tarefa desafiante que recai sobre a educação dos arquitectos, urbanistas, planeadores, ..., e todos aqueles que serão responsáveis, no futuro, pela dimensão prática de actuação e transformação do território, cumprindo aos sistemas, métodos e enquadramentos de Ensino – Práticas e Didáticas responder ao estímulo mas também aos conflitos de uma realidade complexa, pluricontextual e multifacetada.